O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Por abrir
por parir
por chegar
a partir
pedaço a pedaço
asa a asa
taça da última ambição
a boiar
o cheio do nada
sem chão
sem céu
só mar
amplexo que se transborda
sem si
sem outros
só vertigem
o impossível
de braços abertos
a banhar-se de sol
quando de manhã há manhã
e mais nada

1 comentário:

Tamborim disse...

Amei!