O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Alambique



No Alambique

No Azul sem fim
De uma nave a flutuar
Ouço uma voz a chamar (será por mim?)

No Alambique eu vou entrar
Pelo Fogo vou Subir
(pareço a navegar na ilusão do limite,
mas logo a Lua e o Sol me dizem:
Vem
para fora de ti, mas não saias d’Aqui)

e o Alambique sinto oscilar
em partículas de Amor me sinto no Ar
para logo me destilar
e voltar a mim, Aqui,
que do Azul nunca saí, afinal,
re-voltada a cauda mordi porque do Mal não sou
nem o Bem me assomou, sou Una

sou cinza, fénix de novo
mas sem igual,
sou Amor, da violeta Soror
e flutuo no Alambique...
(não estou lá,
porque Lá não existe. Apenas Aqui,
Luz e Sombra a ouvir ecos de Nietszche:
Transforma-te em quem tu és...)

4 comentários:

Luar Azul disse...

Muito Querida Luíza!!

Também eu mergulho no Alambique, não sei se contigo, pois que posso dizer?, não seremos a mesma cobra, as mesmas pulsões ou manchas de bem e mal, a mesma boca a morder a mesma cauda?

Sempre estivémos condenados a estar sós neste Mundo Infinito, mas agora, nessa destilação do Alambique, vê-mo-lo mais claramente. As experiências alimentaram o Fogo e trouxeram-nos ao Espelho perfeito que mostra que todos os jogos que encontramos no exterior são essa cobra multicolor que é e não é o nosso interior.

Interior indefinível, inalcançável, que mostras sem descrever, muito para lá das entrelinhas, sob a forma desse pássaro que voa em horizontes de Sol e Lua casados em harmonia, perfeita Liberdade indefinível...

Já que estamos condenados a morder a própria cauda até ao fim dos nossos dias (e o mais que não sei dizer) ao menos que o façamos com estilo.

Agradeço-te tanto o texto e o desenho, Elevas-me para mundos sempre presentes mas raramente lembrados (pelo menos não tanto quanto quereria).
Um miríade Beijinho... ^.^

Anónimo disse...

O desejo é muito bonito... mas porque separa a ave da serpente ?

Anónimo disse...

Digo: o desenho...

Luiza Dunas disse...

Este desenho é uma produção "Argonautas e Patafísicos" e foi para mim uma inspiração alquímica à primeira vista.