O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Se baixares os braços...

os elementos não te dissolvem, porque nunca exististe...

6 comentários:

Anónimo disse...

Tanta gente iluminada, neste blogue !...

Deus disse...

Eu bem tento que alguma coisa exista, mas não consigo... Nem eu consigo existir, por mais esforço que faça !

Anónimo disse...

O que é que neste caso, isto interessa!? Aliás, estes tipos inteligentes que até parecem antagónicos, estão sempre a dizer isto! Quando engulo muita água e me afogo, antes, parecia existir!Devo ser muito básico. Porque é que este "não existir" não me invade!? Porque é que afirmarem que existo ou não existo para mim resulta no mesmo!?Mas gente iluminada, a que nível? Ah, sim, se nada existe e não existimos também não há níveis!Tudo muda a cada momento, tudo passa, tudo se desfaz mais cedo ou mais tarde, talvez por isso nada exista. Mas o que é que isso interessa? O que é que isso ao menos repara a dor que tantas vezes sinto pelo murchar das rosas e pela morte dos seres que me são querido!?

Anónimo disse...

Como é que se faz para perceber isto?

sombra disse...

Eu bem tento que nadoa disto exista...mas por mais esforço que faça acabo sempre por achar que existo quando me aleijo!

Luar Azul disse...

"como é que se faz para perceber isto?"

Ai ai!!! Vamos lá então: um quilo de feijões, uma multidão, um corpo físico, todas estas coisas são agregados. É evidente que existem, mas em que é que consiste a sua existência? Fundamentalmente na existência de cada uma das suas partes. Se eu pegar no quilo de feijão e o dividir em duas partes posso dizer que:

"o quilo de feijão deixou de existir"

O que num certo sentido é correcto. Mas também é correcto dizer que nenhum dos feijões deixou de existir.

De forma mais geral podemos dizer que aquilo que são os constituintes fundamentais da matéria / Existência (que podem ser fermiões, bosões, cordas, energia e gravidade, etc, consoante as teorias) nunca deixam de existir.

Agora alguém pode ter medo que o quilo de feijão deixe de existir, que se dissolva, que se dissipe. Ao que nós poderíamos responder: mas ele nunca existiu!! Não significa que não exista enquanto agregado, mas simplesmente que não existe enquanto algo de fundamental, é "aparência". Aquilo que o quilo de feijão sempre foi na sua essência não deixará de existir, não poderá deixar de existir, só por o pormos numa configuração diferente!

Capice??

Tantos fantasmas!!! :!
Fikem ^_^