O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quinta-feira, 27 de março de 2008


6 comentários:

Oriana disse...

"Rosa que só tens nexo
Fora da tua imagem:
Aqui és só reflexo
Do Universo unido
No instante florido
Que ofereces aos que te olham,
Sem te ver, de passagem."

Natália Correia

alexandre conefrey disse...

Visto à luz do sol
é apenas mais um insecto
o pirilampo

Matsuo Bashô

Oriana disse...

Contudo, não deixa de ser um pirilampo... E eterna é a noite.

Inquieta disse...

Olá Oriana !

Dou-te um girassol !
Gosto de girassóis. Muito.

"Girassol que na retina
Da planície se dissolve.
És a cor mais repentina
Da aragem que te envolve.

Girassol que só te viras
Ao que não te fica perto
E só giras porque giras
Sobre o teu eixo secreto."

Natália Correia

Oriana disse...

Olá Inquieta! Bom Dia!
Obrigada. Muito.

Girassol? Não o sei ser.
Se nem pirilampo sou!
Cega-me o Sol de saber
A noite por onde vou...

Inquieta disse...

Olá Oriana ! Poetisa ?

Ah ! Quanto brilham os pirilampos
colorindo meus sonhos ...

"Eu gostava de ter um alto destino de poeta,

Daqueles cuja tristeza agrava os adolescentes
E as raparigas que os lêem quando eles já são tão leves
que passam a tarde numa estrela,

A força do calor na bica de uma fonte
E a noite no mar ou no risco dos pirilampos.



Assim, gloriosos mas sem porta a que se bata,
Abstractos mas vivos,
Rarefeitos mas com o hálito nebuloso nas narinas dos animais,

Insinuado nos lenços das mulheres belas, cheios de lágrimas,
Misturado às ervas grossas da chuva

E indispensável aos heróis que vão rasgar no céu, enfim, o último sulco.
Ser a vida e não ter já vida - era um destino."

Vitorino Nemésio