O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 23 de abril de 2008

A Saudade, a Canção de Amor e a luz de Deus segundo Nick Cave

"We all experience within us what the Portuguese call saudade, which translates as an inexplicable longing, an unnamed and enigmatic yearning of the soul, and it is this feeling that lives in the realms of imagination and inspiration and is the breeding ground for the sad song, for the Love Song. Saudade, or longing, is the desire to be transported from darkness into light. To be touched by the hand of that which is not of this world. The Love Song is the light of God, deep down, blasting up through our wounds" - Nick Cave, in The Secret Life of the Love Song. The Flesh Made Word. Two Lectures by Nick Cave (CD).

11 comentários:

Schelling disse...

Alle Geburt ist Geburt aus Dunkel ans Licht; das Samenkorn muss in die Erde versenkt werden und in der Finsternis sterben damit die schönere Lichtgestalt sich erhebe und am Sonnenstrahl sich entfalte. Der Mensch wird im Mutterleibe gebildet; und aus dem Dunkeln des Verstandlosen (aus Gefühl, Sehnsucht, der herrlichen Mutter der Erkenntnis) erwachsen erst die lichten Gedanken. So also müssen wir die ursprüngliche Sehnsucht uns vorstellen, wie sie zwar dem Verstande sich richtet, den sie noch nicht erkennt, wie wir in der Sehnsucht nach unbekanntem namenlosem Gut verlangen, und sich ahndend bewegt, als ein wogend wallend Meer, der Materie des Platon gleich, nach dunkelm ungewissen Gesetz, unvermögend etwas Dauerndes für sich zu bilden.

Pessoa disse...

Pode fazer o favor de traduzir?

da. disse...

Eu gosto muito deste álbum do Nick Cave. Nele, a voz do Nick é lindíssima. Não há outro álbum dele que se aproxime disto.

schelling disse...

O meu portugues é muito mal, apesar de sentir sempre na minha alma uma coisa muito parecida com o que voces chamam "saudade".

Ja estou traduzido:

Schelling, F.W.J., Investigaçoes filosoficas sobre a essencia da liberdade humana es os assuntos com ela relacionados. Trad. e pref. de C. Morujao, Lisboa 1993

ps: olha! quem fala ingles tambem sente saudade...

Anónimo disse...

e o concerto, como foi?

Anónima disse...

O concerto ?!
Isso não se conta...
Sente-se, vive-se cada instante...
Devias ter ido.

interrogativo disse...

Caro Schelling, achas que "Sehnsucht" e "saudade" são o mesmo ? As etimologias são diversas, embora o sentido se possa aproximar...

JoanaRSSousa disse...

o concerto foi lindo!

schelling disse...

caro interrogativo

como posso responder uma interrogaçao como esta? estou inteiro enterrado no meu sistema - e tambem na minha linguagem, mas sinto - de verdade? - saudade de um nao sei o que - de alguma coisa longinquo, como uma resposta que nao chega, como um desejo que nao se revela, como um mundo que nao se livra, como um ser, que se chama homen, que nao chega à si, como muito mais que esta em nos...e que contempla uma paisagem sem viver nela...

ps: desculpa o meu portugues...

Paulo Borges disse...

Caro Schelling, revejo-me inteiramente no que diz e, também pelo meu grande interesse no pensamento romântico alemão e na "Sehnsucht", muito gostaria de o convidar para colaborar neste blogue... Isto caso não esteja já inscrito... Se assim não for, e se aceitar o convite, poderá indicar-me o seu mail ?

Anónimo disse...

O Nick Cave já teve melhores dias... Melhor foi a conferência do Jean-Yves Leloup !