O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 26 de agosto de 2008

organicidade cartográfica polimorfonuclear


A lei da raridade anunciada está instalada

desde confins saturnos das bujigangas

e, circula como o cancro em combustão

onde fluímos através de dilúvios em suplício

que, vistos deitados duma enfermaria,

são sim escarpas inóspitas de lampejante

intensa gratidão a cem mil metros de altitude.


Somos carapaus a ferver na panela do

lago vulcânico da nossa diversão de ginseng,

aproximamo-nos como quem não quer a Coisa

para que nos conceda sua cirurgia mais frondosa,

congela-se o cometa aí mesmo, atravessando

esse pináculo de densa fricção interior.


É dúbia a vontade e jamais justa, não basta

atrelar o malévolo ao Greenpeace sádico de

nossa alma não partilhável, é preciso ansear

e insistir com os indígenas que desrespeitamos,

libertando-nos da biologia da auto-censura para

nos perdermos a extrapolar o espírito enxuto.


Tudo é mais linear do que nunca será,

escrevo entretantos o que te contradiz a gana,

transpiro monóxido de carbono quando

tão podre me sinto, ninguém pretendo ajudar,

minha roupa dilata e vou exercitando

o impulso de exteriorizar cada desperdício;


somos, jamais sóbrios, ansiãos quadrúpedes

constrictos ao vértice que ouvidos inventam,

matinais parcas dimensões diagnosticáveis

estão a analisar-vos caladas, vêem o consumo

com que humanos se socorrem;

decididas

ilusões inscritas de importância, pululamos

entre elas e devoramos cada magnólia como

mais um pensamento escoado que encadeia.


Torno-me em muco para prescrutar narinas

de tragédias ou gargalhadas aquis imortais,

somos amontoados de sentimentos dignos de

se confrontarem em demenos que esgares eternos,

atravessando-me com sílabas doentias relato

o que prescrevo e transformo-me em história.


Nunca aprendi a andar de bicicleta

e em Amesterdão vai-me fazer falta,

quando lá tamborilar na tontura do crack

quilometrando experiências criminosas e

ofensa agressiva a standarts económicos que

geram falências familiares e reabilitação anal:

intermináveis pés-de-atleta imunes ao nexo.


in quimicoterapia 2004

1 comentário:

Marcelo Holanda disse...

Nossa foi bem difícil de compreender... se é que eu compreendi, se é que eu cheguei até aqui...