O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Com-e-unicar

Porque adoro comer?
Porque a comida não fala comigo, é-me... e é assim que me dá vida.
Tudo o resto, o que não me é - ou o que disso se esqueceu, é nada: adormece-me... mata-me.

Tal como a comida, as palavras deveriam-nos ligar à vida, ligar-nos entre nós e ao mundo. Deveriam alimentar a nossa alma ao conectá-la com a sua Fonte, à união primordial, permitindo que cada um permaneça a ser o que é, renascendo sem cessar do Todo a que pertence.
O que entra, e que alimenta o corpo, deveria, da mesma maneira, ser reproduzido, saindo, alimentando-se a si e aos outros.

Poucas são as palavras saciantes, rara a comunicação que nos reconhece como sua, que nos completa como sendo também nossa, nós. Que nos é.
Faminta anda a alma humana de e por si mesma.

E falar palavras que -nos- vivam? Mas como? Se o Homem se esqueceu que vive. Que analisar a vida é decompô-la... e leva o seu tempo para que regenere: para que se re-genere o Ser-Universo.

2 comentários:

platero disse...

o que são as palavras?
desde quando há palavras

- escritas?
- e faladas?

como era possível viver antes da descoberta das palavras?
podem as palavras identificar-nos melhor do que impressões digitais
ou ADN?

continuação de bom trabalho

Anita Silva disse...

Como nos identifica desde o nascimento o nosso corpo creio que não podem chegar...