O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sábado, 27 de setembro de 2008

Perdi-me muitas vezes pelo mar, com ouvidos cheios de flores recém cortadas, com a língua cheia de amor e de agonia.

Muitas vezes me perdi pelo mar.

Como me perco no coração de alguns meninos.

Porque as rosas buscam em frente uma dura paisagem de osso e as mãos do homem não têm mais sentido do que imitar as raízes sobre a terra.

Como me perco no coração de alguns meninos.

E perdi-me muitas vezes pelo mar.

Ignorante da água, vou buscando uma morte de luz que me consuma.

Frederico Garcia Lorca.

5 comentários:

Anita Silva disse...

Hmm, suspeito haverem errado a registar o nome:

Federico Garcia Louco. :P

Anita Silva disse...

(no notariado...)

outro disse...

Buscar uma morte de luz que nos consuma é uma boa demanda para a vida. Bem vinda.

Sereia* disse...

Perco-me no mar todos os dias da minha vida.
E é sempre nele que me encontro quando quero fugir.

Onde o tempo não passa, não avança nem recua. Onde tudo se repete e tudo muda a cada instante... sempre, sempre no MAR

:)

Anónimo disse...

Parabéns! um abraço!