O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


domingo, 28 de setembro de 2008

Terra Nostra

Como bem lembrado pelo Paulo Borges:
"Quem encontramos é o mesmo que buscava, o labirinto é a própria busca antes que a Saudade, de súbito, a faça reverter para o lar da nossa perpétua infância. Aí vemos que o esquecimento não triunfou, que o Instante onde enraizamos corre imóvel sob o seu reflexo tornado criatura a que chamamos Tempo. A segunda vez, o re-conhecimento que a Saudade manifesta é a verdadeira primeira vez, terra de nascimento e não túmulo. Com profunda justiça foi que Pascoaes lhe chamou Criação..."
Eduardo Lourenço, Tempo e Poesia
"O verdadeiro nascimento e a verdadeira criação: reconhecimento no que Insta, no que In-sta, no sempiternamente que não se sedimenta no estar, no ex-istir!"

"Portugal só plenamente será quando perceber que a viagem contada nos Lusíadas é a Ilha dos Amores onde divino e humano darão filhos que, sendo, não existam."
Agostinho da Silva

"O corpo sem alma já não é sacrificado.
O dia da morte se transforma em dia do renascimento.
O espírito divino faz a alma feliz quando se vê a Palavra em sua eternidade."
Nostradamus

4 comentários:

platero disse...

questionei atrás sobre a palavra:
-desde quando existe
-para que serve
-é possível viver sem ela?
encontro parte da resposta em Eduardo Lourenço:

"a palavra na sua função de designar o mundo para o converter em mundo criado por ela"

não será esta a função demiurgica da palavra?

Anita Silva disse...

suponho que sim, convém é que seja ela a converter-se a ele, e não ele a ela...

Anita Silva disse...

ou melhor até, que ambos se convertam mutuamente ;))

Anita Silva disse...

por... e sempre a mesma história... serem Um mesmo.