O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A verdadeira revolta

Creio que uma das atitudes fundamentais do homem humano deve ser a de reconhecer em si, numa falta de compreensão ou numa falta de acção, a origem das deficiências que nota no ambiente em que vive; só começamos, na verdade, a melhorar quando deixamos de nos queixar dos outros para nos queixarmos de nós, quando nos resolvemos a fornecer nós mesmos ao mundo o que nos parece faltar-lhe; numa palavra, quando passamos de uma atitude de pessimista censura a uma atitude de criação optimista, optimista não quanto ao estado presente, mas quanto aos resultados futuros – Agostinho da Silva, "Revolta", Glossas [1945], in Textos e Ensaios Filosóficos I, pp.58-59.

4 comentários:

desumano disse...

Pelos vistos não há muitos homens humanos...

medíocre disse...

Revoltemo-nos, ó medíocres, contra nós mesmos!

Luiza Dunas disse...

Paulo, agora lembrei-me em face desta magnífica reflexão ética de Agostinho da Silva de um comentário de Hermano José Saraiva que ouvi há uns anos, e que sempre me ficou:

" Com tesouros destes não temos o direito de empobrecer! ".

Paulo Borges disse...

É verdade, Luíza, mas a maior miséria é a de ignorarmos o tesouro que somos, o da potencialidade que nos encobrimos...