O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

a existencia


Até hoje, o ser humano, na sua generalidade trabalhou sempre, derramando sangue alheio e transpirando o suor dos que o rodeiam, nas religiões proclamam outros, não da melhor das formas, na política trabalham com o dinheiro dos outros, mas não da forma mais correcta. Quando o ser humano foi chamado a fazer algo que fosse verdadeiramente seu, nada fez, porque os que o rodeiam nada tinham feito daquilo que lhes foi solicitado. Tudo o que é grande, é fruto do individuo, e não das massas. Feitas as contas, a humanidade até à data nada fez, que não fosse feito com o esforço alheio. Foi tudo mero oportunismo e falsas promessas, quando os recursos acabam o ser humano fica muito mal despido, e revela a sua insuficiência. A história da humanidade é comparável à história daquela criança que encontra um doce, que quando acaba, deixa a criança num choro interminável. Toda a existência humana revela-se, a nível construtivo, em vão. Apenas foi comendo os doces até que estes acabassem! É triste ser humano!

5 comentários:

interrogativo disse...

Mas não haverá outras possibilidades no homem, para além desta mediocridade aparentemente triunfante?

Anónimo disse...

Já leu os "Pensieri", de Leopardi?

Leopardi disse...

Io ho lungamente ricusato di creder vere le cose che dirò qui sotto, perché, oltre che la natura mia era troppo rimota da esse, e che l'animo tende sempre a giudicare gli altri da se medesimo, la mia inclinazione non è stata mai d'odiare gli uomini, ma di amarli. In ultimo l'esperienza quasi violentemente me le ha persuase: e sono certo che quei lettori che si troveranno aver praticato cogli uomini molto e in diversi modi, confesseranno che quello ch'io sono per dire è vero tutti gli altri lo terranno per esagerato, finché l'esperienza, se mai avranno occasione di veramente fare esperienza della società umana, non lo ponga loro dinanzi agli occhi.

Dico che il mondo è una lega di birbanti contro gli uomini da bene, e di vili contro i generosi.

long disse...

Não te entristeças! Olha para o que em ti se entristece com o seres humano: será isso humano? Será que somos apenas humanos? Porventura podemos transcender-nos porque em nós algo já é transcendente.

carlos ferreira disse...

interrogativo, claro que há outras possibilidades, aliás, não há outra maneira de realmente viver que não sejam as outras possibilidades de que te falo. anónimo, dentro de tí, no teu ser, também encontrarás algo para ler. leopardi, como podes constatár, a cobardia, como é coisa má, leva a toda a maldade, porque para viver é preciso ter coragem. long, não é a tristeza que me faz ver e transmitir isto, mas sim a esperança, que um dia as pessoas tomarão consciencia, por isso é que ponho um espelho diante delas, para que possam vêer.