O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quinta-feira, 26 de março de 2009

A Bruma

A Bruma escondia-se, ao que parecia,
na Montanha em fumo,
mas era nela que o Fogo jazia.

8 comentários:

Anónimo disse...

Uma provocação à Montanha, interessante.

platero disse...

gosto

aí vai beijinho

Paulo Borges disse...

Na Bruma? Na Montanha? Seja onde for, somos esse Fogo.

Guelfa disse...

Empédocles tornado Fogo. Nós e o mundo somos a sandália.

Gibelina disse...

A sandália é que importa: o que o Fogo não devora.

pé ante pé disse...

Luísa, como te sentes a escrever essas coisas?

Luiza Dunas disse...

Caro Platero, agradeço-te a primeira rosa da primavera que deixaste há dias. Eu ando desde a semana passada a acompanhar o desenvolvimento do primeiro trevo de quatro folhas que tenho na varanda. E há semanas que a videira do meu vizinho cresce exuberantemente. A Bruma é tudo o que se revela sem se mostrar, na continuação e no contexto simbólico em que escrevi.




Meu Amigo, que vens pé ante pé fazer-me tal pergunta, se leres o que está escrito saberás o que eu sinto, essa é a evidência garantida.

A todos vós, um sorriso.

pé ante pé disse...

Luísa, nada é evidente quando se é "drama em gente".